Em noite histórica para a classe trabalhadora brasileira, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, 27 de maio, o texto que acaba com a escala 6×1 no país. A proposta foi aprovada por 472 votos a favor e 22 votos contra no 1º turno, e por 461 a favor e 19 contra no 2º turno, em uma votação marcada pela força da pressão popular, pela mobilização das entidades sindicais e pela derrota política dos setores que tentaram manter milhões de trabalhadoras e trabalhadores presos a uma rotina de escravidão.
A vitória não caiu do céu. Foi conquistada nas ruas, nas redes, nos locais de trabalho, nas audiências públicas, nos atos, nas vigílias e na pressão permanente sobre o Congresso Nacional. Durante semanas, trabalhadoras e trabalhadores de todo o Brasil denunciaram uma verdade que o país já não podia mais ignorar. A escala 6×1 adoece, afasta famílias, rouba domingos, destrói o descanso e transforma a vida de quem trabalha em uma sequência interminável de cansaço.
O texto aprovado representa uma resposta direta a essa realidade. A proposta prevê o fim da escala 6×1, a garantia de dois dias de descanso por semana e a redução gradual da jornada, sem redução salarial. A discussão ganhou força após acordo político que estabeleceu o início da transição em 60 dias após a promulgação, com redução inicial da jornada de 44 para 42 horas semanais e chegada às 40 horas em até 12 meses.
A votação também expôs, de forma cristalina, quem esteve ao lado da classe trabalhadora e quem tentou manter de pé um modelo de exploração. Setores da direita e do Centrão chegaram a defender uma transição mais demorada e propostas que, na prática, poderiam aprofundar jornadas abusivas. Parlamentares desses campos apresentaram emenda que previa até 52 horas semanais e articulações por uma transição de até dez anos.
A tentativa de confundir o debate, atrasar a votação e esvaziar o alcance da proposta foi derrotada. O pedido de vista apresentado pelo PL já havia adiado a votação na Comissão Especial, mas não conseguiu conter a mobilização social que cresceu em todo o país.
Para o presidente da Contracs, Julimar Roberto, que acompanhou de perto todo processo, a aprovação é uma vitória que pertence aos trabalhadores e trabalhadoras que não aceitaram mais viver para trabalhar.
“Hoje, a classe trabalhadora brasileira escreveu uma página histórica. Vencemos a mentira, vencemos a pressão dos poderosos e vencemos a tentativa de manter o povo pobre trabalhando até o limite para enriquecer quem já lucra demais. O fim da escala 6×1 é uma vitória da mobilização, da coragem e da consciência de milhões de trabalhadores e trabalhadoras que disseram basta. Mas a luta não termina aqui. Precisamos seguir vigilantes até a promulgação e garantir que nenhum direito seja retirado no caminho”, afirmou Julimar.
A aprovação do fim da escala 6×1 é mais do que uma mudança na jornada. É uma afirmação política e humana. Trabalhador não é máquina. Trabalhadora não nasceu para viver esgotada. Descanso não é privilégio. Tempo com a família, saúde mental, lazer, estudo, convivência e dignidade são direitos inegociáveis.
“Nesta noite histórica, a Câmara ouviu a voz das ruas. A direita que tentou proteger a velha lógica da exploração saiu derrotada. A classe trabalhadora saiu de cabeça erguida. Mais uma vez, conquistamos nossa abolição da escravatura. Vencemos! E vencemos porque lutamos juntos”, comemorou Julimar.
A matéria segue agora para o Senado Federal, onde a classe trabalhadora precisará manter a mesma pressão, a mesma unidade e a mesma disposição de luta para impedir retrocessos e garantir que o texto avance sem retirada de direitos. O próprio Senado já indicava que propostas sobre o fim da escala 6×1 estavam prontas para análise em Plenário, o que reforça a importância de manter a mobilização nesta nova etapa.

